SÓ QUANDO O POETA DORME
Charles Fonseca
Quando o poeta dorme,
Acordam restos diurnos
Em sonhos, um tanto confusos,
Desejos pequenos enormes.
Quando o poeta dorme
Dorme também sua fome.
Mordem desejos de homem,
Pede que a amada acorde.
Quando o poeta acorda
Todo o sonho está desfeito.
Em cinzas, pós fogo do leito,
O cobrem. Fecham-se portas.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
sábado, 21 de novembro de 2009
NEM NO MAR, NEM NA TERRA
Charles Fonseca
Colhi em mares bravios
Duas conchas, dentro pérolas.
Hoje restam cascos vazios,
Sem núcleo, onde estão elas?
Será que em colos cintilam?
Ou em alianças ou brincos?
Por acaso ornam cintos?
Ou será que nos céus brilham?
Charles Fonseca
Colhi em mares bravios
Duas conchas, dentro pérolas.
Hoje restam cascos vazios,
Sem núcleo, onde estão elas?
Será que em colos cintilam?
Ou em alianças ou brincos?
Por acaso ornam cintos?
Ou será que nos céus brilham?
OS BEIJOS QUE NÃO TE DEI
Charles Fonseca
Os beijos, oh mãe, que não te dei em vida
São beijos contidos, parados no ar,
Contigo levaste os mesmos pro lar
Celeste, na alma, teu corpo em partida.
Os beijos, mãe, que não me deste, sortidos,
Dos tantos que tu me deste correndo,
São meus, os tenho em minha alma vivendo
Dias no aquém, no além os quero colhidos.
Charles Fonseca
Os beijos, oh mãe, que não te dei em vida
São beijos contidos, parados no ar,
Contigo levaste os mesmos pro lar
Celeste, na alma, teu corpo em partida.
Os beijos, mãe, que não me deste, sortidos,
Dos tantos que tu me deste correndo,
São meus, os tenho em minha alma vivendo
Dias no aquém, no além os quero colhidos.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
A LÁGRIMA CRISTALINA
Charles Fonseca
Chora meu peito de amante
A minh'alma sem sossego
Chora de ti o degredo
Em lágrima diamante
Que bóia triste e rola
Pela face, cristalina,
Saudade de ti, menina,
Neste meu verso que chora.
Charles Fonseca
Chora meu peito de amante
A minh'alma sem sossego
Chora de ti o degredo
Em lágrima diamante
Que bóia triste e rola
Pela face, cristalina,
Saudade de ti, menina,
Neste meu verso que chora.
sábado, 31 de outubro de 2009
O CRAVO
Charles Fonseca
A rosa em entrevero
Comigo, suposto amado,
Feriu-me, bateu o martelo.
Sangrou-me o peito. Eis o cravo.
Do espinho, fez-me agravo.
Do amor, fez-me glosa.
É bela, não mais que rosa.
Já vou. Chamo-me cravo.
Charles Fonseca
A rosa em entrevero
Comigo, suposto amado,
Feriu-me, bateu o martelo.
Sangrou-me o peito. Eis o cravo.
Do espinho, fez-me agravo.
Do amor, fez-me glosa.
É bela, não mais que rosa.
Já vou. Chamo-me cravo.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
CANA CAIANA
Charles Fonseca
Cana caiana moida a melaço
Resta bagaço no chão massapê.
Presta ao arado, o sonho enterrado,
Foi sumo, foi mel, de engenho banguê.
Retorna bagaço, humus da terra.
De novo terá pendão de caiana.
Ao sol dourado, chegada a ceifama,
Novo cutelo afiado lhe espera.
Charles Fonseca
Cana caiana moida a melaço
Resta bagaço no chão massapê.
Presta ao arado, o sonho enterrado,
Foi sumo, foi mel, de engenho banguê.
Retorna bagaço, humus da terra.
De novo terá pendão de caiana.
Ao sol dourado, chegada a ceifama,
Novo cutelo afiado lhe espera.
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